A economia dos criadores no Brasil é mais do que um fenômeno cultural: é uma indústria em rápido crescimento, que molda a forma como milhões de pessoas trabalham, se comunicam e consomem informação.
E a sua escala e influência a tornam também um tema de política pública. Hoje, criadores estão no cruzamento entre publicidade, regulação do trabalho e governança digital. A seguir, três fatos, com base em pesquisas recentes do Reglab, que ajudam a explicar por que a economia dos criadores no Brasil merece atenção global — não só de marcas, mas também de formuladores de políticas públicas e de pesquisadores.
1. Um mercado de R$ 20 bilhões — e ainda em expansão
O Brasil tem 3,8 milhões de criadores de conteúdo, o que representa quase 16% de todos os influenciadores do mundo. É um mercado maior do que o de muitas profissões tradicionais — há mais influenciadores do que advogados ou médicos com registro ativo. Só em 2024, o setor movimentou R$ 20 bilhões, crescendo 43% em relação ao ano anterior. 73% dos brasileiros compraram produtos no último ano com base em recomendações de influenciadores — a maior taxa de conversão do mundo.
2. 88 projetos de lei, 10 anos e um quebra-cabeça bipartidário
Entre 2015 e 2025, 88 projetos de lei sobre regulação de influenciadores foram apresentados no Congresso Nacional. As propostas atravessam linhas partidárias — da esquerda à direita — e mostram um raro consenso bipartidário. A maioria se concentra em controle de conteúdo em vez de reconhecer influenciadores como agentes econômicos. Mais de 20% incluem previsões criminais, refletindo uma cultura política que tende a tratar a influência como um risco a ser controlado, e não como trabalho legítimo.

Tipo de projeto de lei sobre influenciadores digitais (laranja: direito civil; azul: direito penal)
3. Como o Congresso fala sobre influência importa
A análise de discurso do Reglab sobre justificativas parlamentares revelou uma dualidade reveladora: influenciadores aparecem tanto como profissionais legítimos quanto como ameaças sociais. Embora parlamentares às vezes destaquem a importância econômica do setor, a narrativa dominante os retrata como vetores de risco — associados a fraude, vício ou decadência moral. Essa linguagem molda a própria regulação, reforçando o estigma em vez de construir estrutura. Entender essa dimensão simbólica é essencial para qualquer formulador de políticas públicas ou empresa que navegue a governança digital no Brasil.

uma opinião de especialistas do Reglab