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Reglab

A confiança em inteligência artificial cresce no Brasil, mesmo com o resto do ambiente digital estável

1.103 brasileiros ouvidos entre 15 e 30 de junho. Enquanto o índice geral de confiança digital não se moveu, a IA foi a única categoria que ganhou terreno de forma consistente - puxada justamente por quem estava mais distante da tecnologia.

1.103

respondentes

população digital brasileira, +18 anos

universo

24

plataformas avaliadas

95%

nível de confiança

±3pp

margem de erro

209

no painel repetido

Índice geral (Relatório Zero = 1,00)

Três meses após o relatório índice permaneceu estável: 1,000 → 0,997

Sobre o projeto

Um único número para medir confiança e segurança digital.

O Índice Reglab é o primeiro indicador contínuo e estruturado que mensura como os brasileiros percebem o Trust & Safety das principais plataformas do país — construído com metodologia baseada em padrões da OCDE, coleta pela Offerwise e cotas nacionais representativas.

Cada plataforma é avaliada em 4 dimensões (confiança geral, integridade da informação, proteção de dados e proteção de adolescentes) dentro de 5 categorias (redes sociais, streaming, economia de plataforma, inteligência artificial e governo digital).

As 5 categorias avaliadas

Redes Sociais

Instagram, Facebook, X, LinkedIn

Streaming e Entretenimento

Netflix, YouTube, TikTok, Twitch

Economia de Plataforma

Uber, 99, iFood, Rappi

Inteligência Artificial

ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity

Governo Digital

Gov.br, Meu SUS, Meu INSS

Destaque principais do Relatório Um

gênero

Homens e mulheres têm níveis de confiança quase iguais, até chegar em adolescentes.

No índice geral, a diferença entre homens e mulheres é a mais estreita do estudo (66,9 contra 65,6). Mas, na proteção de adolescentes, a distância salta para quase 6 pontos — repetindo o maior contraste já visto na Pesquisa Zero.

O mesmo padrão aparece em conteúdo ao vivo e transporte: categorias onde mulheres seguem mais céticas. A leitura mais provável remete ao papel de cuidado historicamente atribuído a elas, que acompanham mais de perto a vida digital de filhos e dependentes.

5.8pp

é a diferença de confiança entre homens e mulheres quando o assunto é proteção de adolescentes: homens confiam mais que as mulheres

Região · Governo Digital

No Sul, a confiança no governo digital deu um salto real

Entre todas as variações regionais do estudo, o Sul foi a única mudança estatisticamente significativa: +5,5 pontos na confiança em apps de governo — justamente a região que, na Pesquisa Zero, menos confiava nesse tipo de serviço.

O cruzamento com pesquisas de avaliação do governo federal publicadas pela Quaest mostra o mesmo movimento: o Sul foi a região que mais cresceu em aprovação ao governo no período — também +5,5 p.p. Ou seja, a nota que o usuário dá ao app parece incorporar a nota que ele dá ao governo que o opera.

As demais regiões — Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste — tiveram variações pequenas dentro da margem de erro, tratadas como sinais a observar, não como tendência confirmada.

Destaque metodológico

Para saber se a confiança mudou de verdade, é preciso perguntar de novo às mesmas pessoas.

Pense em uma turma de alunos: para saber se eles aprenderam, você compara a nota deles no fim do curso com a deles no começo — não com a nota de uma turma qualquer. Com opinião é igual: para saber se a confiança mudou, o ideal é perguntar de novo às mesmas pessoas.

É essa a lógica do painel repetido: 209 pessoas (≈20% da amostra) responderam tanto à Pesquisa Zero quanto ao Relatório 1. Como acompanha os mesmos indivíduos ao longo do tempo, ele separa uma mudança real de opinião de uma simples troca de quem foi ouvido — algo que a comparação entre amostras diferentes não permite enxergar sozinha.

Inteligência Artificial

A confiança em IA foi a única que subiu de forma consistente.

Foi o sinal mais forte da edição: no painel repetido, a confiança em inteligência artificial subiu +3,1 pontos, enquanto o índice geral mal se moveu. O reconhecimento do Claude saltou de 72% para 77% — acima da margem de erro.

O avanço mais expressivo veio de onde menos se esperava: a classe D-E foi de 79% para 84% de conhecimento sobre IA, o maior ganho de qualquer classe em qualquer categoria do estudo.

A leitura mais provável combina uma tecnologia em fase de adoção com a exposição das campanhas publicitárias de ChatGPT e Gemini na TV aberta, mídia digital e Out-of-Home durante a Copa do Mundo — ainda que o relatório trate essa correlação com cautela.

"A inteligência artificial está se tornando parte do repertório cotidiano de grupos sociais mais amplos. Isso não significa que as barreiras de acesso ou uso foram superadas, mas mostra que a categoria já não circula apenas entre públicos especializados."

Thais Palanca, pesquisadora do Reglab

Regulação · ECA Digital

A lei entrou em vigor. A confiança na proteção de adolescentes, não.

A Pesquisa Zero foi a campo na mesma quinzena em que o ECA Digital entrou em vigor. Três meses depois, a confiança nessa dimensão segue praticamente no mesmo patamar — o que não significa que a lei seja irrelevante, mas que sua implementação, regulamentação e monitoramento ainda estão em curso.

Proteção de adolescentes segue sendo a dimensão mais frágil e mais desigual do estudo: maior gap de renda entre todas as dimensões (8,6pp) e a única em que homens e mulheres divergem com clareza.

8,6pp

é o gap de confiança entre classes A/B e C/D-E na proteção de adolescentes — o maior do estudo.

"A aprovação de uma lei não muda imediatamente a percepção dos usuários. O resultado não permite avaliar a efetividade do ECA Digital, cuja implementação ainda está no início, mas estabelece uma linha de base para acompanhar se as novas regras produzirão efeitos perceptíveis ao longo do tempo."

Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab

Todos os gráficos, cortes demográficos e o anexo de metodologia, em um só PDF.

18 páginas com panorama geral, análise por categoria e dimensão, recortes de gênero, classe, idade e região, e a análise assinada pela equipe Reglab.

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