1.103 brasileiros ouvidos entre 15 e 30 de junho. Enquanto o índice geral de confiança digital não se moveu, a IA foi a única categoria que ganhou terreno de forma consistente - puxada justamente por quem estava mais distante da tecnologia.
respondentes
universo
plataformas avaliadas
nível de confiança
margem de erro
no painel repetido
O Índice Reglab é o primeiro indicador contínuo e estruturado que mensura como os brasileiros percebem o Trust & Safety das principais plataformas do país — construído com metodologia baseada em padrões da OCDE, coleta pela Offerwise e cotas nacionais representativas.
Cada plataforma é avaliada em 4 dimensões (confiança geral, integridade da informação, proteção de dados e proteção de adolescentes) dentro de 5 categorias (redes sociais, streaming, economia de plataforma, inteligência artificial e governo digital).
No índice geral, a diferença entre homens e mulheres é a mais estreita do estudo (66,9 contra 65,6). Mas, na proteção de adolescentes, a distância salta para quase 6 pontos — repetindo o maior contraste já visto na Pesquisa Zero.
O mesmo padrão aparece em conteúdo ao vivo e transporte: categorias onde mulheres seguem mais céticas. A leitura mais provável remete ao papel de cuidado historicamente atribuído a elas, que acompanham mais de perto a vida digital de filhos e dependentes.
é a diferença de confiança entre homens e mulheres quando o assunto é proteção de adolescentes: homens confiam mais que as mulheres
Entre todas as variações regionais do estudo, o Sul foi a única mudança estatisticamente significativa: +5,5 pontos na confiança em apps de governo — justamente a região que, na Pesquisa Zero, menos confiava nesse tipo de serviço.
O cruzamento com pesquisas de avaliação do governo federal publicadas pela Quaest mostra o mesmo movimento: o Sul foi a região que mais cresceu em aprovação ao governo no período — também +5,5 p.p. Ou seja, a nota que o usuário dá ao app parece incorporar a nota que ele dá ao governo que o opera.
As demais regiões — Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste — tiveram variações pequenas dentro da margem de erro, tratadas como sinais a observar, não como tendência confirmada.
Pense em uma turma de alunos: para saber se eles aprenderam, você compara a nota deles no fim do curso com a deles no começo — não com a nota de uma turma qualquer. Com opinião é igual: para saber se a confiança mudou, o ideal é perguntar de novo às mesmas pessoas.
É essa a lógica do painel repetido: 209 pessoas (≈20% da amostra) responderam tanto à Pesquisa Zero quanto ao Relatório 1. Como acompanha os mesmos indivíduos ao longo do tempo, ele separa uma mudança real de opinião de uma simples troca de quem foi ouvido — algo que a comparação entre amostras diferentes não permite enxergar sozinha.
Foi o sinal mais forte da edição: no painel repetido, a confiança em inteligência artificial subiu +3,1 pontos, enquanto o índice geral mal se moveu. O reconhecimento do Claude saltou de 72% para 77% — acima da margem de erro.
O avanço mais expressivo veio de onde menos se esperava: a classe D-E foi de 79% para 84% de conhecimento sobre IA, o maior ganho de qualquer classe em qualquer categoria do estudo.
A leitura mais provável combina uma tecnologia em fase de adoção com a exposição das campanhas publicitárias de ChatGPT e Gemini na TV aberta, mídia digital e Out-of-Home durante a Copa do Mundo — ainda que o relatório trate essa correlação com cautela.
A Pesquisa Zero foi a campo na mesma quinzena em que o ECA Digital entrou em vigor. Três meses depois, a confiança nessa dimensão segue praticamente no mesmo patamar — o que não significa que a lei seja irrelevante, mas que sua implementação, regulamentação e monitoramento ainda estão em curso.
Proteção de adolescentes segue sendo a dimensão mais frágil e mais desigual do estudo: maior gap de renda entre todas as dimensões (8,6pp) e a única em que homens e mulheres divergem com clareza.
é o gap de confiança entre classes A/B e C/D-E na proteção de adolescentes — o maior do estudo.
18 páginas com panorama geral, análise por categoria e dimensão, recortes de gênero, classe, idade e região, e a análise assinada pela equipe Reglab.