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Teachtok e as Novas Jornadas de Aprendizagem: Estudo sobre TikTok na Educação - Reglab – centro de estratégia & regulação

Reglab – centro de estratégia & regulação

Teachtok e as Novas Jornadas de Aprendizagem: Estudo sobre TikTok na Educação

O Reglab apresenta seu mais novo estudo: “Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem”.Nesta pesquisa qualitativa, investigamos como professores da educação básica e pré-vestibular estão utilizando plataformas de vídeos curtos como uma prática complementar ao trabalho em sala de aula. O estudo explora o conceito de Scroll Learning, onde a aprendizagem ocorre de forma não linear e incidental, e analisa a ascensão dos “Teachtokers” — educadores que combinam técnicas pedagógicas com a linguagem das redes sociais.

Os principais tópicos abordados são:

    • Mudança na relação Professor-Aluno: No ambiente digital, a relação entre professor e aluno fica mais próxima e menos formal.
    • Um complemento à educação formal: o TikTok é mobilizado como dispositivo de engajamento inicial, curiosidade e mediação cultural.
    • Uma nova didática: docentes articulam conteúdos educativos às linguagens da plataforma, ampliando o alcance escolar entre jovens.

Este relatório oferece dados e evidências para empresas, associações e formuladores de políticas públicas entenderem o futuro da educação mediada por algoritmos.

Citar

PORTAS, I. A.; BROMBINE, G.; RAMOS, P.; GARROTE, M. Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem. São Paulo: Reglab, 2026.
Portas, I. A., Brombine, G., Ramos, P., & Garrote, M. (2026). Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem. Reglab.
Portas, Isabela Afonso, Giulia Brombine, Pedro Ramos, e Marina Garrote. Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem. São Paulo: Reglab, 2026.

Autores

  • Pedro Henrique Ramos
  • Marina Garrote
  • Isabela Afonso Portas
  • Giulia Brombine

Tags






TeachTok e as novas jornadas de aprendizagem

TeachTok e as novas jornadas de aprendizagem

Transformação do relatório em HTML textual, com navegação lateral por âncoras e elementos informativos recriados em formato editorial.

Expediente

Diretor Executivo: Pedro Henrique Ramos
Coordenadora de Pesquisa: Marina Garrote
Autores(as): Pedro Henrique Ramos, Marina Garrote, Isabela Afonso Portas e Giulia Brombine
Pesquisadoras: Isabela Afonso Portas, Giulia Brombine e Daniela Naomi Shimabukuro Nomura
Diagramação Final: Larissa Camargo

Citação sugerida

PORTAS, I. A.; BROMBINE, G.; RAMOS, P.; GARROTE, M. Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem. São Paulo: Reglab, 2026.

Sumário Executivo

Este estudo investiga o surgimento dos “teachtokers” e como o ensino formal está se adaptando a plataformas de vídeos curtos. A partir de uma análise exploratória e entrevistas detalhadas com professores criadores de conteúdo, o Reglab analisou como esse tipo de eduentretenimento está mudando a forma de ensinar.

A pesquisa explora os motivos para professores e professoras entrarem no ambiente digital, as estratégias para prender a atenção e as tensões entre a lógica dos formatos digitais e o aprofundamento conceitual e pedagógico.

Scroll learning

A aprendizagem na plataforma ocorre de forma incidental e não linear. O aluno não entra no aplicativo necessariamente para estudar, mas encontra conteúdo educacional enquanto busca entretenimento.

Nova didática

As técnicas pedagógicas tradicionais são adaptadas ao uso de ganchos, simplificação de conceitos complexos e trends virais, o que aumenta o interesse, mas cria tensão com a profundidade.

Relação professor-aluno

No ambiente digital, a relação tende a ficar mais próxima e menos formal. O professor passa a ser percebido como alguém mais acessível e humano.

Profissionalização

Para muitos docentes, estar no TikTok também fortalece a carreira, aumenta visibilidade e pode complementar renda, inserindo o professor na lógica da economia de criadores.

Introdução

Professores e professoras brasileiras estão dando aula no TikTok. Não como experimento ou brincadeira, mas como prática complementar ao trabalho em sala de aula, com milhões de visualizações e comunidades engajadas com conteúdos escolares.

A plataforma virou palco de revisões para o ENEM, explicações de física quântica e curiosidades históricas. O fenômeno tem nome: TeachTok. Mais do que uma trend ou hashtag, trata-se de um espaço de diálogo e inovação entre educadores e educadoras de todo o mundo, que trocam recursos, ideias e estratégias a partir do compartilhamento de vídeos curtos.

55%

dos adolescentes de 13–14 anos usam TikTok.

Tic Kids Online 2024
62%

dos jovens de 15–17 anos estão na plataforma.

Tic Kids Online 2024
72%

utilizam canais ou apps de vídeo para pesquisas escolares.

Tic Educação 2024
46%

recorrem a redes sociais como fonte de pesquisa.

Tic Educação 2024
112,2 bi

visualizações em #estudos

199,9 bi

visualizações em #Edutok

30,9 bi

visualizações em #AprendaNoTikTok

9,8 mi

visualizações em #TikTokeducacao

O formato dos conteúdos do TikTok também pode favorecer o desenvolvimento comunicacional dos docentes. Como vídeos curtos exigem síntese e concisão, eles levam os professores a destilar as informações mais importantes em pouco tempo, de forma mais objetiva. Recursos como dueto, reação, tela verde e costura ampliam as possibilidades de criação didática e favorecem interações que tensionam a hierarquia tradicional entre professor e aluno.

Ao mesmo tempo, o uso educacional do TikTok apresenta desafios, como o risco de priorizar entretenimento em vez de conteúdo genuinamente educacional e a pressão pela viralização. Diante disso, surgem perguntas centrais: como esses educadores produzem conteúdo? O que os motiva? Como equilibram rigor pedagógico e visibilidade? O que essa migração revela sobre a educação contemporânea?

Metodologia

Esta pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa para entender como professores e professoras brasileiras da educação básica e de cursinhos pré-vestibulares usam o TikTok em sua prática de ensino. O estudo investigou como esses educadores criam conteúdo educacional na plataforma e como percebem questões relacionadas a engajamento, visibilidade e interação com estudantes.

Inicialmente, foi realizada uma revisão de literatura sobre TeachTok, uso do TikTok na educação e práticas docentes em plataformas digitais. Em seguida, a coleta de dados foi estruturada em duas etapas complementares.

Etapa 1

Mapeamento exploratório de perfis de professores que produzem conteúdo educacional no TikTok, com registro de área de ensino, número de seguidores e curtidas. Ao todo, foram mapeados 54 profissionais.

Etapa 2

Entrevistas em profundidade semiestruturadas com 7 profissionais que atuam no Ensino Fundamental, Médio ou cursinhos pré-vestibulares.

Etapa 3

Análise temática das entrevistas, identificando padrões recorrentes nas falas por meio de codificação, agrupamento de códigos e organização em temas.

Professores entrevistados

Anelize Vergara

Atua em ONG e cursinho pré-vestibular; experiência anterior no Fundamental II e Ensino Médio; professora de história há 11 anos; público formado por professores iniciantes.

Antônio

Atua no Fundamental II e Ensino Médio na rede estadual de SC; professor de Geografia há 16 anos; público formado por comunidade escolar e público geral.

Daniel Almeida

Atua no Ensino Médio e cursinho pré-vestibular; professor de história há 8 anos; público majoritariamente de vestibulandos.

Jorge

Atua no Fundamental II e ocasionalmente Ensino Médio/Faculdade; professor de matemática há 14 anos; público formado por estudantes e amantes da matemática.

Josiane

Atua no Fundamental I e II da rede pública municipal; professora há 5 anos de Inglês, Português e História; público formado por estudantes de graduação e interessados em Literatura e História.

Rafael

Atua em cursinho preparatório para Medicina; professor de física há quase 20 anos; público de vestibulandos de medicina e jovens adultos.

Victor Polilo

Atua no Fundamental II, Ensino Médio e cursinho pré-vestibular da rede privada; professor de matemática há 10 anos; público formado por vestibulandos e jovens de 19 a 29 anos.

A análise temática foi organizada em três níveis: codificação inicial de trechos relevantes, agrupamento por semelhança em categorias e consolidação em temas como trajetória, relação entre sala de aula e digital, aprendizagem, desafios e recomendações.

1. Trajetória

As entrevistas revelam que a trajetória profissional dos participantes é marcada por percursos não lineares, tanto no ingresso na docência quanto na adoção do TikTok como espaço de produção de conteúdo educacional.

  • Para a maioria, a docência não surgiu como escolha inicial planejada, mas como alternativa que se consolidou a partir da prática e da identificação com a sala de aula.
  • De modo semelhante, a entrada no ambiente digital emergiu em grande parte como resposta a contextos contingenciais, especialmente a pandemia, passando depois a ser incorporada de forma mais estruturada.

“Então ser professora não foi a minha primeira escolha de forma alguma […] eu comecei a dar aula de inglês num projeto pra ocupar meu tempo mesmo. E aí eu descobri que eu gostava muito de dar aula.”

“Passei a gostar depois que eu comecei a fazer estágio […] e eu me amarrei naquilo, pô, eu dentro de sala de aula, sendo autoridade.”

A entrada no TikTok esteve fortemente associada à pandemia, ao ensino remoto, à necessidade de adaptação de linguagem e, em alguns casos, aos incentivos da própria plataforma. Para alguns, o digital também apareceu como resposta a limites de circulação do conteúdo em ambientes mais fechados, como drive ou YouTube.

“O TikTok dava incentivo, inclusive financeiro, para que a gente produzisse mais para aquela plataforma e para justamente perder esse estigma de plataforma de dancinha.”

2. A Sala de Aula e o Ambiente Digital

Os depoimentos mostram que sala de aula e plataforma digital não operam como esferas separadas. Elas se retroalimentam: experiências, dúvidas e interações do cotidiano escolar informam a produção de conteúdo, enquanto a lógica do vídeo curto afeta a prática pedagógica presencial.

Prática presencial

Sala de aula como origem de temas, dúvidas e repertório pedagógico.

Comunicação digital

TikTok como espaço de síntese, linguagem rápida e adaptação de formato.

Sobreposição

Experiências, dificuldades e interações circulam entre os dois ambientes.

Vitrine profissional

O TikTok também funciona como extensão simbólica da carreira docente.

A produção de conteúdo é majoritariamente individual: os próprios professores fazem pesquisa, planejamento, gravação e edição. Esse modelo de “eu-quipe” demanda tempo e esforço para transformar conteúdos complexos em formatos curtos e dinâmicos.

“Não faço roteiro porque eu não sei seguir roteiro […] as piadinhas que eu faço na sala de aula são as piadinhas que eu faço nos vídeos.”

“Eu não tenho como delegar alguma parte do meu processo. Porque sou eu que tenho que raciocinar.”

Os professores também usam o TikTok como recurso pedagógico em sala, seja compartilhando vídeos próprios com os alunos, seja indicando criadores relevantes ou transformando dúvidas recorrentes em pauta para novos vídeos.

“Quando eu vejo que a sala inteira não entendeu um assunto, eu acho que mais gente com certeza não entendeu também. E aí eu levo esse assunto pelo menos como dica.”

Além disso, a plataforma funciona como porta de entrada para mentorias, cursos e produtos educacionais fora da rede. A monetização direta por visualizações é vista como limitada, mas a conversão de audiência pode ser estratégica.

3. Aprendizagem

As entrevistas revelam que a aprendizagem no TikTok não se organiza apenas em torno da transmissão de conteúdo. Ela envolve dimensões afetivas, relacionais e contextuais que atravessam a experiência educativa.

A presença docente em plataformas digitais é percebida como relevante para a aproximação pedagógica e o engajamento em sala de aula. Estar no TikTok é entendido como forma de reconhecer repertórios culturais dos estudantes e construir pontes entre digital e escola.

“O artista tem que ir onde o público tá, né? A ideia é a mesma para mim.”

“Eles têm muito o professor como aquela figura chata… E o professor do TikTok é um professor mais legal.”

Os professores associam essa aproximação a efeitos positivos no engajamento, ainda que não a tratem como garantia automática de aprendizagem. O TikTok é visto como espaço de aprendizagem incidental, em que o conhecimento surge durante a navegação cotidiana.

Aprendizagem incidental

O estudante cruza com conteúdos educativos enquanto navega, sem intenção prévia de estudar.

Aproximação simbólica

A presença digital reduz distâncias e humaniza a figura do professor.

Formação do próprio professor

Produzir vídeo curto exige síntese, clareza comunicacional e gestão da atenção.

Mediação cultural

O conteúdo dialoga com referências dos estudantes e pode abrir caminho para o aprofundamento formal.

“Eu acredito que eu aprendi a falar melhor, a me expressar melhor.”

“Hoje eu penso muito as minhas aulas pra serem parecidas com um vídeo curto.”

4. Dicas e Recados dos “Teachtokers”

Os entrevistados veem o TikTok como espaço para fortalecer ensino e aprendizagem, e encorajam colegas a produzir conteúdo sem buscar perfeição técnica ou temas totalmente inéditos.

  • Autenticidade e didática própria são diferenciais para construir vínculo com o público.
  • Há a percepção de que muitos professores estão perdendo oportunidade de se aproximar dos alunos por não ocuparem o mesmo ambiente que eles já consomem.
  • O processo de criação também é visto como formativo e prazeroso para os próprios docentes.

“Tem um monte de gente ensinando, mas não tem um monte de gente ensinando do jeito que você ensina.”

“Os professores estão perdendo uma chance […] de estar mais próximo dos alunos deles em sala de aula.”

Os participantes também defendem valorização institucional do conteúdo educacional e consideram positivo quando a plataforma cria programas de apoio ou estímulo financeiro para fortalecer a educação na rede.

5. Desafios

Apesar do potencial do TikTok como espaço de circulação de conteúdos educacionais, os professores apontam desafios ligados tanto às condições materiais do trabalho docente quanto às dinâmicas próprias do ambiente digital.

Sobrecarga e dupla jornada

Criar vídeos adiciona horas não remuneradas a uma rotina já marcada por jornadas extensas. Pesquisa, gravação, edição e publicação se sobrepõem à vida profissional e pessoal.

“Meu processo de produção não dura 1 hora […] eu trabalho 40 horas.”

Falta de formação

Escolas e secretarias raramente oferecem capacitação técnica ou pedagógica para produção de conteúdo digital. Muitos docentes aprendem sozinhos, por tentativa e erro.

“Muitos professores não têm essa educação midiática, esse letramento […] foi tudo muito do empírico.”

Armadilha do raso

Há consenso de que a plataforma atua de forma complementar, e não substitui práticas voltadas ao aprofundamento. O vídeo curto funciona melhor como curiosidade, dica ou gatilho de interesse.

“Eu não tento ensinar Matemática para ninguém. Eu simplesmente dou dica de alguma coisa.”

“É superficial […] não dá para ter a pretensão de ser super aprofundado como numa sala de aula.”

Batalha desigual pela atenção

Videoaulas mais longas ou expositivas têm baixo desempenho no feed, e os professores sentem competir com formatos de entretenimento mais leves e mais engajadores.

“Eu perdi os meus alunos pro TikTok. Eu não sou mais divertida que o TikTok.”

Seguidores versus diplomas

No ambiente digital, o número de seguidores frequentemente se sobrepõe à formação acadêmica como indicador de autoridade, o que expõe professores qualificados a questionamentos, correções indevidas e ataques.

“Hoje em dia, na internet, quem tem mais seguidor é autoridade.”

6. Análise e comentários

A análise do estudo se concentra em três grandes pontos de convergência entre os entrevistados: a reconfiguração da autoridade e identidade docente, o TikTok como espaço de aprendizagem por descoberta e aproximação com os alunos, e os limites estruturais do formato de vídeo curto.

6.1. Reconfiguração da identidade e autoridade docente

Os relatos indicam uma transformação na forma como a autoridade docente é construída no ambiente digital. Em vez de se apoiar exclusivamente na posição institucional da escola, ela passa a ser negociada por meio da linguagem, da identificação cultural e da presença contínua na plataforma.

O estudo associa esse processo à microcelebrificação docente, estruturada em quatro pilares: responsabilidade, compromisso, autoridade relacional e reconhecimento público.

Responsabilidade

Demonstração de competência pedagógica e compromisso ético com a disseminação do conhecimento.

Compromisso

Dedicação ao planejamento e à produção de conteúdo, inclusive além do currículo tradicional.

Autoridade

Legitimidade construída por identificação, empatia e utilidade pedagógica, e não apenas por hierarquia.

Reconhecimento

Validação expressa pelo público por meio de elogios, críticas e engajamento.

6.2. Scroll learning, eduentretenimento e aproximação professor/aluno

O TikTok é compreendido como espaço de aprendizagem informal e espontânea, no qual conteúdos educativos são encontrados de forma casual em meio a fluxos de entretenimento. Essa dinâmica é nomeada no relatório como aprendizagem por rolagem.

A arquitetura do feed favorece esse modelo, enquanto práticas de eduentretenimento traduzem conteúdos escolares para as linguagens da plataforma: humor, narrativas breves e referências culturais. Isso amplia circulação, mas não substitui os espaços formais de ensino.

6.3. O equilíbrio entre síntese do formato vs. densidade do conteúdo

Os mesmos recursos que favorecem o engajamento inicial e a aproximação com os estudantes impõem restrições à profundidade da explicação. O TikTok aparece, assim, menos como espaço de consolidação do conhecimento e mais como dispositivo de ativação de interesse, curiosidade e mediação cultural.

6.4. Implicações para políticas públicas educacionais

O relatório posiciona o digital como dimensão estruturante da educação contemporânea. Os achados dialogam com iniciativas como a Política Nacional de Educação Digital, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e a educação midiática na BNCC.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que o uso pedagógico do TikTok ainda ocorre de forma majoritariamente individual, pouco institucionalizada e com limitado reconhecimento formal. Isso sugere a necessidade de ampliar políticas públicas para contemplar formação docente, valorização da produção responsável de conteúdo educacional e melhores condições materiais de trabalho.

7. Conclusões

7.1. O que buscamos responder com este estudo?

O estudo investigou como professores brasileiras e brasileiros do ensino fundamental, médio e cursinhos usam o TikTok como prática complementar ao trabalho pedagógico, explorando vídeos curtos para produzir e circular conteúdos escolares, dialogar com estudantes e experimentar novas formas de mediação educativa.

7.2. E o que encontramos?

As entrevistas revelam que o TeachTok opera como espaço de mediação cultural, em que docentes articulam conteúdos às linguagens da plataforma, ampliando o alcance escolar entre jovens. A autoridade docente torna-se mais relacional, baseada em identificação cultural, presença recorrente e utilidade do conteúdo.

O estudo também evidencia o TikTok como espaço de aprendizagem por rolagem, no qual o contato com conteúdos educativos ocorre espontaneamente em fluxos de entretenimento. Assim, o valor da plataforma está em engajar, aproximar e abrir portas para repertórios, não em substituir a educação formal.

7.3. E por que isso importa?

Ao ouvir professores da educação básica e cursinhos, o relatório contribui para o debate sobre plataformas digitais na educação. Ele sugere que o valor pedagógico do TikTok reside na capacidade de aproximar atores, ativar interesses e ampliar repertórios, desde que seus limites sejam reconhecidos e seu uso articulado a práticas pedagógicas mais amplas.

8. Direcionamentos para estudos futuros

  • Perspectivas dos estudantes: investigar como alunos percebem, consomem e se engajam com conteúdos educacionais na plataforma.
  • Análise de conteúdo e formatos: examinar diretamente os vídeos publicados por professores, suas estratégias discursivas, recursos visuais e adequação pedagógica.
  • Estudos quantitativos: mapear em larga escala o universo de professores brasileiros produtores de conteúdo educacional, observando alcance, engajamento e padrões de viralização.
  • Impactos na aprendizagem formal: avaliar se o uso complementar de conteúdos do TikTok influencia desempenho, retenção e motivação.
  • Estudos longitudinais: acompanhar ao longo do tempo a evolução das práticas e percepções docentes, bem como efeitos de mudanças algorítmicas e de políticas da plataforma.

Em conjunto, esses caminhos reforçam a necessidade de aprofundar o diálogo entre professores, estudantes, plataformas digitais e instituições educacionais para consolidar práticas pedagógicas digitais mais informadas, éticas e significativas.

9. Referências

O PDF original inclui referências bibliográficas e um anexo de metodologia a partir da página 32. Nesta versão HTML, a estrutura principal do relatório foi convertida para navegação textual. Para consulta completa das referências e do anexo, mantenha o PDF original como apoio documental.

Exemplos de referências citadas no relatório: Cetic.br / Tic Kids Online 2024; Tic Educação 2024; Vizcaíno-Verdú e Abidin (2023); Kumar e Nanda (2024); Turvy (2025); Jerasa e Ura (2025); Ramos e Oliveira (2024); PNED; ENEC; Lei nº 15.100/2025.