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Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026: análise dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral

O que os planos de governo desta eleição propõem, concretamente, para tecnologia? A pergunta é simples, mas a resposta não estava sistematizada: as propostas de agenda digital aparecem espalhadas em documentos longos, com formatos e níveis de detalhe muito diferentes entre si.

 

Este estudo apresenta as propostas de tecnologia, por eixo temático, dos cinco planos de governo dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas e registrados no Tribunal Superior Eleitoral, o que permite comparar convergências e divergências. O resultado central: inteligência artificial é o tema mais citado nos cinco planos, e apenas três apresentam proposta de regular a tecnologia. Há acordo sobre a relevância do assunto, não sobre a regra.

 

O que você vai encontrar neste estudo:

 

  • O mapa completo das propostas de tecnologia dos planos de Flávio Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos., organizadas por eixo temático.
  • A assimetria entre Governo Digital, com 48 propostas, e Inclusão Digital, com 30.
  • Os pontos de consenso da agenda digital, com data centers presentes em todos os planos.

 

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Citar

RAMOS, Pedro; PICHININ, Thais; RIBEIRO, Natália. Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026: análise dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Agenda Digital Reglab n. 1. São Paulo: Reglab, 2026.
Ramos, P., Pichinin, T., & Ribeiro, N. (2026). Inovação e tecnologia nas eleições presidenciais de 2026: Análise dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (Agenda Digital Reglab, n. 1). Reglab.
Ramos, Pedro, Thais Pichinin, e Natália Ribeiro. Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026: Análise dos Planos de Governo Registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Agenda Digital Reglab n. 1. São Paulo: Reglab, 2026.

Autores

  • Natália Ribeiro
  • Pedro Ramos
  • Thais Pichinin

Tags

FORMATO ESPECIAL | AGENDA DIGITAL · 2026

Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026

Análise dos planos de governo registrados no
Tribunal Superior Eleitoral

Sobre o Reglab

Somos um centro de pesquisa privado especializado no setor de mídia e tecnologia, que auxilia empresas, associações e formuladores de políticas a tomarem decisões estratégicas baseadas em dados e evidências.

Saiba mais em www.reglab.com.br

Sobre Formatos Especiais

Nossos formatos especiais englobam soluções de conteúdo customizadas para clientes e agendas específicas. A Série Agenda Digital é uma publicação institucional do Reglab que acompanha, a cada ciclo eleitoral, como as candidaturas mais bem colocadas incorporam inovação, tecnologia e regulação digital em seus programas de governo.

Expediente

Diretor Executivo: Pedro Henrique Ramos

Diretora de Pesquisa: Marina Gonçalves Garrote

Autores: Pedro Henrique Ramos, Thais Ortega Pichinin e Natália Ribeiro

Diagramação Final: Larissa Camargo

Citação Sugerida: RAMOS, Pedro; PICHININ, Thais; RIBEIRO, Natália. Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026: análise dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Agenda Digital Reglab n. 1. São Paulo: Reglab, 2026.

Esta publicação foi produzida de forma independente, não tendo sido encomendada, comissionada ou patrocinada por qualquer empresa, instituição ou organização.

Sumário Executivo

O plano de governo é o principal documento programático exigido pela Justiça Eleitoral, em que candidatos para o Executivo apresentam propostas, metas e diretrizes políticas para administrar a gestão pública. Para quem vota, ajuda a escolher seus candidatos e candidatas; para empresas e organizações, ajudam a avaliar o que podem ser pautas no próximo ciclo de governo, contribuindo em seus planejamentos.

Com este estudo, o Reglab buscou entender como as candidaturas mais bem colocadas para Presidente incorporam inovação, tecnologia e regulação digital em seus programas de governo. Analisamos 177 propostas nos planos de governo de Flávio Bolsonaro, Lula, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Entre os achados, destacamos:

  • Inteligência Artificial é o termo mais citado nos planos, mas só 3 candidaturas discutem sua regulação. É o conceito mais mencionado, com 34 menções nos cinco planos. Na regulação, há abordagens diferentes: Caiado propõe regulação baseada em risco; Zema defende evitar regras amplas e precoces; e Lula ancora sua agenda em soberania digital.
  • Serviços digitais ao cidadão é a subcategoria que lidera – com 22 propostas, seguida de áreas estratégicas de pesquisa (20), e infraestrutura e conectividade (18).
  • Data centers são o consenso mais literal do levantamento. Estão nos cinco planos, com a distribuição mais uniforme de toda a tabela (8 menções).
  • Há um núcleo comum de 6 temas: serviços digitais, infraestrutura e dados do Estado, IA no setor público, formação de talentos, ecossistemas de inovação e áreas estratégicas de pesquisa estão em todos, ainda que os candidatos se oponham em quase todo o resto.

Sumário

Sumário Executivo 3

1. Introdução 5

2. Metodologia 6

2.1. O que buscamos com este estudo 6

2.2. Como fizemos este estudo 7

Flávio Bolsonaro 12

Lula 14

Renan Santos 16

Romeu Zema 18

Ronaldo Caiado 20

4. Análise e Comentários 22

4.1. Inteligência Artificial: tema unânime, regulação dividida 22

4.2. O desequilíbrio entre a modernização do Estado e inclusão digital 23

4.3. Data centers são o consenso mais literal do levantamento 23

4.4. Existe um núcleo comum, com seis temas 24

4.5. O que os dados sugerem sobre a agenda digital de 2027-2030? 24

5. Conclusão 26

6. Direcionamentos para futuros estudos 27

Referências 28

Anexo de Metodologia Reglab 29

1. Introdução

Em Cidades do Amanhã Inovação & Tecnologia nas Eleições Municipais de 2024 (Ramos, 2024) o Reglab analisou como as candidaturas à prefeitura das cinco maiores capitais brasileiras incorporaram temas de inovação e a tecnologia em seus programas de governo.

Esta edição leva a mesma pergunta para a disputa presidencial de 2026. Buscamos mapear como a agenda digital aparece nos planos de governo dos presidenciáveis brasileiros: quais temas recebem espaço, como as propostas se distribuem entre diferentes áreas de inovação e tecnologia e quais assuntos permanecem pouco presentes ou ausentes dos documentos analisados.

Nos últimos anos, a atuação do Estado nessa área deixou de se concentrar apenas em infraestrutura, acesso e fomento à inovação e passou a envolver também decisões sobre regras, responsabilidades e limites para o uso de tecnologias. Também passou a incorporar a digitalização como um eixo estruturante, seja da máquina pública, seja dos serviços oferecidos aos cidadãos e cidadãs.

Isso exige um novo desenho de pesquisa, comparado com os Executivos Municipais. Nesta pesquisa, além dos eixos de Inclusão Digital, Empreendedorismo e Startups e Fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação, incorporamos também temas mais alinhados ao Executivo Federal, como Governo Digital e Regulação de Novas Tecnologias. O tema Cidades Inteligentes, presente no estudo de 2024 e mais alinhado a municípios, foi deixado de fora.

2. Metodologia

2.1. O que buscamos com este estudo

Esta pesquisa parte da seguinte pergunta: como os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais para Presidente em 2026 incorporam os temas de inovação, tecnologia e regulação digital em seus planos de governo?

Dessa pergunta central derivam três subperguntas:

  • Volume e distribuição: qual é o número de propostas e como elas se distribuem entre os eixos temáticos que estruturam a análise?
  • Concentração e lacunas: quais subtemas concentram a atenção dos programas e quais permanecem ausentes do debate eleitoral?
  • Discurso e papel do Estado: quais valores, oposições conceituais e papéis atribuídos ao Estado estruturam a narrativa programática sobre o desenvolvimento tecnológico?
DEFINIÇÕES IMPORTANTES Proposta: trecho do plano de governo que apresenta uma ação ou compromisso que a candidatura pretende realizar e que está relacionado a um dos cinco eixos do estudo. Para ser contabilizado como proposta, o trecho precisa reunir quatro elementos: tema pertinente a um dos eixos; compromisso ou ação futura; competência do Executivo federal; e objeto identificável. Diagnósticos, declarações de valor, relatos de gestão passada e críticas a adversários não são contabilizados. Eixo: uma das cinco grandes áreas que organizam a análise deste estudo: inclusão digital; fomento à ciência, tecnologia e inovação; empreendedorismo e startups; governo digital; e regulação de novas tecnologias. Subcategoria: divisão temática mais específica dentro de cada eixo. O estudo utiliza 34 subcategorias, e uma mesma proposta pode ser classificada em mais de uma quando seu conteúdo se relaciona a diferentes temas. Menção: ocorrência de um conceito ou expressão no texto das propostas. Diferentemente da contagem de propostas, aqui são contabilizadas quantas vezes em que determinado conceito aparece. Assim, uma mesma proposta pode conter mais de uma menção.

Este estudo não avalia, compara propostas ou faz recomendações de voto – por esse motivo não há rankings, notas ou índices compostos. O estudo busca somente mapear o que foi prometido no plano de governo – peças de campanha exigidas pela Lei 9.504/97 e registradas na Justiça Eleitoral.

2.2. Como fizemos este estudo

Seguindo a tradição de transparência e replicabilidade dos estudos do Reglab, a metodologia completa está descrita no Anexo de metodologia deste trabalho. De forma sumária, podemos explicar o percurso da pesquisa em em quatro etapas:

2.2.1. Como definimos os critérios da pesquisa

Antes da leitura dos planos de governo, foi definido o codebook que orientou a análise. A estrutura partiu dos temas utilizados na pesquisa Cidades do Amanhã (Ramos, 2024) e foi ampliada para o nível federal, incorporando governo digital e regulação de novas tecnologias.

O codebook estabeleceu previamente duas regras principais: o que seria considerado um tema e quais trechos poderiam ser contabilizados como propostas. Consideramos como tema cada um dos assuntos substantivos que orientaram a leitura dos planos e foram organizados nos eixos e categorias de análise definidos no codebook. Dessa forma, um trecho só entrou na análise quando estava relacionado a um dos temas definidos previamente e atendia aos critérios estabelecidos para caracterizar uma proposta.

Como se trata de uma pesquisa sobre documentos de candidaturas em contexto eleitoral, uma preocupação central do desenho foi evitar parcialidade, aplicando os mesmos critérios a todos os planos analisados. Por essa razão, os eixos, categorias e regras de codificação foram definidos antes da seleção e análise dos planos de governo. Essa escolha reduz o espaço para que os critérios sejam adaptados em função do conteúdo encontrado em uma candidatura específica e contribui para tornar a comparação entre os planos mais consistente e transparente.

Os planos de governo contêm não apenas propostas, mas também diagnósticos, princípios, avaliações de gestões anteriores e críticas políticas. Por isso, definimos uma regra comum para diferenciar esses conteúdos, e um trecho só foi contabilizado como proposta quando atendia, ao mesmo tempo, a quatro critérios:

  1. Tema: tratava de um assunto relacionado a um dos cinco eixos definidos previamente;
  2. Ação: apresentava uma ação, medida ou compromisso voltado para o futuro;
  3. Competência: tratava de uma medida que pudesse ser executada ou induzida pelo Executivo federal; e
  4. Objeto: permitia identificar concretamente o que seria criado, alterado, ampliado, implementado ou realizado.

Assim, uma declaração sobre a importância da inovação, por exemplo, não foi contabilizada como proposta quando não apresentava uma ação ou medida identificável. Da mesma forma, relatos de políticas já realizadas e críticas a outras candidaturas não integraram a contagem.

Os trechos avaliados que não atenderam aos critérios também foram registrados, juntamente com o motivo da exclusão. Esse procedimento permite verificar tanto o que foi contabilizado como proposto quanto os limites adotados na análise.

A definição prévia resultou em cinco eixos: inclusão digital; fomento à ciência, tecnologia e inovação (CT&I); empreendedorismo e startups; governo digital; e regulação de novas tecnologias. A tabela abaixo apresenta o que foi considerado em cada eixo e um exemplo de trecho que, além de se enquadrar naquele tema, atendeu aos critérios para ser contabilizado como proposta.

Eixo O que entendemos por esse eixo Subcategorias encontradas Exemplos de propostas identificadas por eixo
Inclusão Digital Medidas voltadas ao acesso da população às tecnologias digitais, incluindo conectividade, dispositivos, custo de acesso e desenvolvimento de competências digitais. Infraestrutura e conectividade; Acessibilidade econômica; Dispositivos; Letramento digital; Uso significativo; Inclusão de grupos específicos. “vamos levar conectividade às localidades de baixa cobertura, priorizando escolas, áreas rurais e regiões de fronteira” (Plano Flávio Bolsonaro)
Fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) Medidas de apoio à pesquisa e à produção de conhecimento científico e tecnológico, incluindo financiamento, infraestrutura de pesquisa, instituições científicas e formação de pesquisadores. Financiamento à pesquisa; Instituições e carreira científica; Relação universidade-empresa; Infraestrutura de pesquisa; Formação de talentos; Áreas estratégicas. “Asseguraremos ainda a continuidade do uso estratégico do FNDCT” (Plano Lula)
Empreendedorismo e Startups Medidas voltadas ao desenvolvimento e à comercialização de inovação por empresas de base tecnológica, como financiamento, ambiente de negócios, ecossistemas de inovação e internacionalização. Capital e financiamento; Ambiente de negócios; Ecossistema e habitats; Compras públicas de inovação; Internacionalização; Tributação da inovação. “maximizar o investimento em venture capital por fundos brasileiros” (Plano de Renan Santos)
Governo Digital Medidas em que o próprio Estado utiliza tecnologia para prestar serviços ao cidadão ou organizar e modernizar sua gestão. Serviços digitais ao cidadão; Infraestrutura e dados do Estado; Identidade digital; Transparência e dados abertos; IA no setor público; Compras e gestão; Coordenação federativa. “Aumentar a qualidade de entrega dos serviços públicos por meio da digitalização do governo” (Plano Romeu Zema)
Regulação de novas tecnologias Medidas voltadas à criação ou alteração de regras e instituições que disciplinam o uso de tecnologias por empresas, plataformas ou outros agentes da sociedade. Inteligência artificial; Plataformas e conteúdo; Dados pessoais e privacidade; Concorrência digital; Vigilância e biometria; Ativos digitais; Cibersegurança e soberania; Infância e adolescência; Outros temas de regulação. “Adotar marco legal centrado no uso, no dano e no risco concreto, com transparência, responsabilização e não discriminação” (Plano Ronaldo Caiado)

Nota: as subcategorias são divisões temáticas mais específicas dentro de cada eixo e foram utilizadas para detalhar o conteúdo das propostas. Uma mesma proposta pode receber mais de uma classificação quando aborda diferentes temas. A ausência de propostas em determinada subcategoria significa apenas que nenhum trecho dos planos analisados atendeu aos critérios para ser classificado nela. Os exemplos apresentados têm caráter ilustrativo. As definições e os critérios completos de cada subcategoria estão no Anexo II.

O codebook completo, com as definições, critérios de inclusão e exclusão e palavras-chave utilizados na codificação, está disponível no Anexo II.

2.2.2. Como selecionamos os planos de governo

Para selecionar os planos de governo, consideramos os documentos registrados no TSE das cinco candidaturas que alcançaram pelo menos 2,0% das intenções de voto no levantamento Genial/Quaest divulgado em 5 de agosto de 2026. No cenário estimulado de primeiro turno, essas candidaturas somavam 79% das intenções de voto declaradas (Genial; Quaest, 2026).

Os documentos foram baixados no dia 18 de agosto de 2026, após o término oficial do registro de candidaturas no TSE. Entrevistas, debates, redes sociais, artigos e outros materiais de campanha não integraram o conjunto analisado.

2.2.3. Como analisamos e classificamos as propostas

A codificação teve duas etapas. A primeira usou o Athena — suíte proprietária de skills/agentes do Reglab que roda sobre LLMs (Claude Code e Codex), aplicando nossas metodologias — conectado ao ATLAS.ti, software de codificação qualitativa. Ambos foram programados seguindo procedimentos de codificação qualitativa descritos em Saldaña (2013).

Na segunda etapa, fizemos a revisão humana de todos os códigos e classificações realizadas pelos sistemas. Para evitar vieses, os pesquisadores revisaram independentemente, e com caminhos diferentes: enquanto um primeiro pesquisador revisou a partir da base de dados do Atlas.ti, a segunda pesquisadora revisou diretamente os documentos.

Com isso, diversos ajustes foram feitos nas classificações finais antes do início da análise de dados. As decisões tomadas ao longo da análise e eventuais alterações de classificação foram registradas com suas respectivas justificativas.

Ao final, foram identificadas 177 propostas nos cinco planos de governo, distribuídas em 185 atribuições de eixo. O número de atribuições é superior ao de propostas porque uma mesma proposta pode ser classificada em mais de um eixo.

Candidatura Propostas Inclusão Digital Fomento a CT&I Empreendedorismo e Startups Governo Digital Regulação de Novas Tecnologias
Flávio Bolsonaro 34 8 8 5 10 4
Lula 45 7 9 4 10 15
Renan Santos 16 0 7 5 5 1
Romeu Zema 35 6 13 5 10 4
Ronaldo Caiado 47 9 10 9 13 8
TOTAL 177 30 47 28 48 32

Tabela 1 Propostas por eixo

2.2.4. Como apresentamos os resultados

Para a apresentação dos resultados, todas as candidaturas seguem o mesmo formato de ficha, com as mesmas seções, ordem de apresentação e escala gráfica. Já a seção “Análise e Comentários” interpreta os padrões observados no conjunto dos planos, sem avaliar o mérito das propostas.

As candidaturas são apresentadas em ordem alfabética e com os nomes apresentados no registro do TSE. A lista completa de propostas de cada um integra o Anexo I – Propostas por candidatura deste trabalho.

A metodologia completa, com detalhes sobre os procedimentos adotados, encontra-se no anexo de metodologia ao final do relatório.

Flávio Bolsonaro

Lula

Renan Santos

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Romeu Zema

Ronaldo Caiado

4. Análise e Comentários

Esta seção analisa os dados da pesquisa por meio das lentes do autor e autoras deste trabalho.

4.1. Inteligência Artificial: tema unânime, regulação dividida

A inteligência artificial é o tema mais citado no levantamento: tem 34 menções e está presente nos cinco planos de governo analisados. O consenso, porém, existe apenas na temática, nas abordagens e nos planos regulatórios as candidaturas seguem caminhos bastante distintos.

Dos cinco candidatos, apenas três tratam formalmente da regulação da IA: Lula, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. E entre os três candidatos os caminhos tomados são divergentes.

Lula aposta em uma agenda de soberania digital e propõe, entre outras medidas, remuneração pelo conteúdo utilizado por sistemas de IA, transparência e rastreabilidade de conteúdos sintéticos e maior governança internacional. Seu plano também prevê a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica.

Ronaldo Caiado defende um marco legal baseado no uso, no dano e no risco concreto. A proposta combina transparência, responsabilização e obrigações proporcionais para as plataformas. Romeu Zema segue em direção oposta: defende evitar uma regulação ampla e precoce e limitar a atuação do Estado a situações em que haja dano concreto comprovado.

Já Flávio Bolsonaro trata a IA de forma instrumental, enquanto Renan Santos trata a IA como insumo econômico. Nenhum dos dois candidatos apresentou uma proposta específica de regulação.

Na prática, temos alguns cenários futuros: a continuidade e ampliação da política de regulação defendida por Lula; uma abordagem intermediária, baseada em risco e dano concreto, como a proposta por Ronaldo Caiado; ou uma postura de menor intervenção estatal, defendida por Romeu Zema. Ou ainda a possibilidade de um cenário incerto sobre regulação da IA, pelos candidatos Flávio Bolsonaro e Renan Santos.

A divergência ganha peso porque o próximo governo herdará uma política federal de inteligência artificial já em andamento, estruturada pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024-2028), que inclui medidas de governança, transparência e avaliação de riscos.

Por isso, embora a IA seja um dos poucos temas capazes de reunir todas as candidaturas no discurso, ela também é uma das áreas em que o resultado eleitoral pode produzir mudanças significativas. A tecnologia está presente na agenda dos candidatos; o que ainda parece estar em disputa é o tamanho do papel que o Estado terá na sua regulação.

4.2. O desequilíbrio entre a modernização do Estado e inclusão digital

A digitalização dos serviços públicos é a principal aposta nos planos de governo na área de tecnologia e inovação. Dentro do eixo Governo Digital, a subcategoria Serviços Digitais ao Cidadão é a que mais aparece, com 22 propostas, além de estar presente nos cinco planos de governo analisados.

Os planos de governo estão apostando na modernização do próprio Estado e na melhoria dos serviços oferecidos diretamente à população, mas essa escolha também tem uma explicação prática. Digitalizar serviços públicos pode gerar resultados visíveis em um prazo relativamente curto, com custos mais previsíveis e menor resistência política. É uma agenda que permite ao candidato apresentar entregas concretas ao cidadão sem depender, necessariamente, de grandes obras ou investimentos de longo prazo.

Contudo, o cenário é diferente quando se olha para conectividade e inclusão digital. O eixo de Inclusão Digital teve apenas 30 propostas contra as 48 de Governo Digital. Essa assimetria chama atenção porque a conectividade significativa da população brasileira, ou seja, o nível de acesso que garante velocidade, estabilidade e dispositivos adequados para um uso pleno da internet, ainda é baixa: em 2025, 30% da população estava no nível mais baixo desse indicador, e apenas 20% no nível mais alto (Cetic.br, 2026).

A diferença expõe uma tensão que deve acompanhar o próximo mandato: é mais rápido anunciar a digitalização de um serviço do que garantir que toda a população tenha internet, equipamentos e conhecimento para acessá-lo. A modernização do Estado pode avançar rapidamente, mas seu alcance dependerá da capacidade de enfrentar o problema mais lento e estrutural do acesso digital.

4.3. Data centers são o consenso mais literal do levantamento

A temática de data centers aparece nos cinco planos de governo, com 8 menções distribuídas de forma quase uniforme entre as candidaturas. Nenhum outro conceito do levantamento reúne presença unânime com distribuição tão equilibrada, nem mesmo quando se fala em Inteligência Artificial que, embora também apareça nos cinco planos, suas menções concentram-se em três candidaturas: Lula, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro somam 27 das 34 ocorrências do termo.

Essa diferença importa uma vez que revela dois tipos de consenso distintos. Quando os candidatos falam sobre IA, o consenso é sobre a relevância do tema, e não sobre seu conteúdo ou modelo regulatório proposto. Já no tema de data centers, o consenso é mais literal: as cinco candidaturas tratam a atração de investimento em infraestrutura de processamento e armazenamento de dados como prioridade de política industrial. A única diferença é em salvaguardas: apenas no programa de Lula existe menção expressa a “salvaguardas socioambientais obrigatórias”.

Na prática, isso significa que a pauta chega à agenda pública deslocando a atenção do debate de se o Brasil deve ou não receber investimentos**; a disputa parece ser essencialmente regulatória**: a capacidade da matriz de energia limpa, as regras de licenciamento ambiental, os incentivos tributários e os compromissos de sustentabilidade do setor.

4.4. Existe um núcleo comum, com seis temas

Todos os cinco planos de governo coincidem em seis assuntos principais: serviços digitais para o cidadão, infraestrutura e dados do governo, uso de Inteligência Artificial no setor público, formação de talentos, incentivo à inovação e pesquisas em áreas estratégicas. Esse é o ponto em que candidatos que discordam em quase tudo se encontram.

O que esses seis temas têm em comum é muito revelador. Todos eles tratam do Estado organizando a sua própria casa, digitalizando serviços, treinando pessoas, estruturando seus dados e financiando a ciência.

Assuntos mais sensíveis, como a regulação de redes sociais, a punição por conteúdos publicados na internet, a privacidade de dados e as regras para o uso de IA pelas empresas, ficaram de fora desse grupo comum. As candidaturas concordam sobre como melhorar o funcionamento do próprio governo, mas divergem sobre como e quanto o Estado deve regular o mercado.

4.5. O que os dados sugerem sobre a agenda digital de 2027-2030?

Como plano de governo é declaração de intenções eleitorais, não compromisso de execução, nada garante que as propostas aqui discutidas cheguem a se tornar política pública nos termos em que foram anunciadas. Ainda assim, um padrão fica visível quando se olha para o conteúdo dos planos, e não apenas para sua distribuição por eixo: a maior parte dos temas centrais das cinco candidaturas incide sobre áreas em que o Estado brasileiro já tem uma política federal em vigor.

O país já conta com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), atualizado em junho de 2025; com o Decreto nº 12.572/2025, que instituiu a Política Nacional de Segurança da Informação; com a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Decreto nº 11.713/2023); com o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025); e com o Decreto nº 8.777/2016, que institui a Política de Dados Abertos do Executivo, conforme mapeamento do Atlas da Regulação do Ecossistema Digital Brasileiro (Nomura; Andrade, 2025). A agenda digital de 2027-2030, qualquer que seja o resultado da eleição, não parte de uma página em branco.

Os planos, porém, não se relacionam com esse terreno da mesma forma. Em alguns casos, a proposta nomeia explicitamente a política existente: Lula propõe o “aprimoramento do ECA Digital”, e Ronaldo Caiado inclui, entre suas propostas de regulação, uma “Política Nacional de cibersegurança” e cita a própria LGPD, sem que o plano detalhe se a menção implica reforço, alteração ou apenas manutenção da lei em vigor.

Em outros casos, o tema aparece sem que o plano mencione o instrumento já existente. Romeu Zema, por exemplo, propõe “dados do governo em formato aberto”, área já regida pelo Decreto nº 8.777/2016, e Flávio Bolsonaro propõe “fortalecer a defesa cibernética do país”, sem referência à Política Nacional de Segurança da Informação. Há ainda propostas formuladas em termos genéricos, como o “arcabouço regulatório” de Renan Santos, que não permitem identificar se dialogam com alguma política existente ou simplesmente a ignoram.

Essa variação desloca a pergunta relevante para o próximo ciclo. Nas áreas em que já existe algum instrumento federal em vigor, o debate de 2027-2030 não é se o tema vai entrar na agenda, pois ele já tem tratamento na política pública brasileira**; a pergunta é se o governo eleito dará continuidade a esse tratamento, o revisará ou o substituirá.**

5. Conclusão

O que buscamos responder com este estudo?

A pesquisa busca mapear como os candidatos mais bem colocados na disputa pela Presidência da República em 2026 incorporam inovação, tecnologia e regulação digital em seus planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

E o que encontramos?

Ao analisar os materiais dos candidatos, observamos que, das 34 subcategorias examinadas, seis estão presentes nos cinco planos de governo, com destaque para a área de Serviços Digitais ao Cidadão, que lidera o volume geral com 22 propostas. Entre as pautas de consenso unânime, destacam-se a atração de data centers e a implementação de um prontuário eletrônico nacional interoperável. Em contrapartida, o eixo de Regulação de Novas Tecnologias se estabelece como o único terreno em que as propostas não apenas se diferenciam, mas se anulam ao contrastar perspectivas de soberania digital, modelos baseados em risco e a defesa da não regulação ampla do setor.

O mapeamento revela ainda assimetrias importantes: enquanto a oferta de serviços digitais ao cidadão soma 22 propostas, a agenda de letramento digital conta com apenas 7. No campo conceitual, a Inteligência Artificial sobressai como o termo mais recorrente, somando 34 menções transversais a áreas como saúde, educação e agronegócio nos cinco planos, ao passo que a pauta de data centers sobressai como o conceito mais uniformemente distribuído entre todas as candidaturas.

E por que isso importa?

A relevância deste estudo reside no papel do plano de governo como o único documento programático formalmente exigido, publicado e preservado pela Justiça Eleitoral. Para formuladores de políticas públicas, legisladores e agentes dos mercados digitais, esse material é fundamental para delimitar os temas que estarão no centro do debate no próximo ciclo de gestão e, sobretudo, aqueles que permanecerão ausentes. Além disso, como a amostra abrange candidaturas que representam 79% das intenções de voto (Genial; Quaest, 2026), os achados vão além da análise de documentos isolados para oferecer um diagnóstico preciso sobre o estado real da agenda digital no debate presidencial. O estudo demonstra que a transformação digital é um compromisso transversal nos projetos de país, cujas divergências residem não na sua importância, mas na intensidade e nos rumos regulatórios propostos.

6. Direcionamentos para futuros estudos

As perguntas abaixo são abertas por este trabalho e não respondidas por ele, que poderão ser respondidas em futuros estudos:

  • Avaliação longitudinal do cumprimento das propostas. Acompanhar, ao longo do mandato, o destino das propostas aqui mapeadas, com atenção especial às doze que declaram elementos de auditabilidade — as únicas cujo cumprimento é verificável a partir do próprio documento.

  • A regulação ausente. Investigar porque frentes regulatórias com legislação vigente e disputa institucional ativa — proteção de dados, concorrência digital, vigilância — não chegam ao documento eleitoral, apesar de ocuparem o Congresso e os tribunais.

  • Tecnologia como meio. Aprofundar o exame dos trechos excluídos por este critério, que constituem corpus próprio sobre como o Estado brasileiro projeta o uso de tecnologia em funções de fiscalização e policiamento.

  • Percepção do eleitorado. Medir se e como as propostas de política digital influenciam a decisão de voto, e qual a compreensão pública de termos como soberania digital, inteligência artificial e governo digital.

  • Comparação entre plano registrado e programa executado. Contrastar o documento entregue ao TSE com os planos plurianuais e as prioridades efetivamente adotadas, para dimensionar a distância entre a peça eleitoral e o instrumento de governo.

Referências

CETIC.BR. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no
2026. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/pt-br/20260511173200/tic_domicilios_2025_livro%20pt.pdf. Acesso em: 31 ago. 2026.
GENIAL; QUAEST. Pesquisa de intenção de voto para Presidente da República. Levantamento nacional. Agosto de 2026. Disponivel em: quaest.com.br/pesquisa-genial-quaest-recuperacao-de-flavio-bolsonaro/. Acessado em: 12 ago. 2026.
NOMURA, Daniela Naomi; ANDRADE, Andressa. Atlas da Regulação do Ecossistema Digital Brasileiro. Formatos Especiais Reglab, n. 2. São Paulo: Reglab, 2026. Disponível em: reglab.com.br/wp-content/uploads/2026/02/rl-policy-brief-atlas-da-regulacao-1.pdf. Acesso em: 31 ago. 2026.
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RAMOS, Pedro Henrique. Cidades do Amanhã: Inovação e Tecnologia nas Eleições Municipais de 2024. Policy Briefs Reglab, n. 1. São Paulo: Reglab, 2024. Disponivel em: reglab.com.br/wp-content/uploads/2024/09/reglab-cidades-do-amanha.pdf. Acesso em: 28 ago. 2026.

RAMOS, Pedro Henrique Soares Melo. O lugar da recepção na inclusão digital: perspectivas latino-americanas para uma conectividade crítica. 2025. Tese (Doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo) — Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo, Escola Superior de Propaganda e Marketing, São Paulo.

SALDAÑA, Johnny. The Coding Manual for Qualitative Researchers. 2. ed. Londres: SAGE, 2013.

Fontes primárias. Planos de governo das cinco candidaturas analisadas (Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado), obtidos na plataforma DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral em 18 de agosto de 2026. Disponível em: https://divulgacandcontas.tse.jus.br. Acesso em: 18 ago. 2026.

Anexo de Metodologia Reglab

FORMATOS ESPECIAIS: AGENDA DIGITAL REGLAB

AUTORIA Pedro Henrique Ramos, Thais Ortega Pichinin e Natália Ribeiro
Título Inovação e Tecnologia nas Eleições Presidenciais de 2026: Análise dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral
Formato Especial Reglab: Agenda Digital
Pergunta de Pesquisa Como os candidatos mais bem colocados à Presidência da República em 2026 incorporam inovação, tecnologia e regulação digital em seus planos de governo registrados no TSE?
Resumo de Metodologia A pesquisa adota análise de conteúdo com codificação dedutiva dos planos de governo. A unidade de análise é a proposta, identificada a partir de quatro critérios cumulativos: relação com um dos temas da pesquisa; apresentação de ação ou compromisso futuro; possibilidade de execução ou indução pelo Executivo federal; e existência de objeto identificável. As propostas foram classificadas em cinco eixos e 34 subcategorias definidos previamente em codebook (livro de códigos). Uma leitura qualitativa complementar dos trechos selecionados subsidia a seção de Análise e Comentários, sem integrar a contagem das propostas.
Coleta de Dados A fonte primária são os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral e disponibilizados no sistema Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), coletados em 18 de agosto de 2026. Foram incluídas as candidaturas que alcançaram 2,0% ou mais das intenções de voto no levantamento Genial/Quaest divulgado em 5 de agosto de 2026, considerando o percentual pontual, sem aplicação da margem de erro. O critério resultou na seleção de Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que somavam 79% das intenções de voto declaradas na pesquisa. A candidatura imediatamente abaixo do corte registrava 1%. Foram consideradas apenas as versões disponíveis na data da coleta. Entrevistas, debates, artigos, redes sociais e outros materiais de campanha não integram a base analisada. Como referências metodológicas e conceituais, o estudo utiliza Saldaña (2013), Ramos (2024), NIC.br (2024) e Ramos (2025).
Análise de Dados A codificação foi realizada no ATLAS.ti, com apoio da IA do Claude (Anthropic), e posteriormente submetida à revisão humana. Cada ação com objeto próprio foi contabilizada como uma proposta; quando a mesma medida aparecia repetida em diferentes partes do plano, era contabilizada apenas uma vez. Uma mesma proposta podia receber mais de uma classificação quando abordava diferentes eixos ou subcategorias. A base final reúne 177 propostas. Os trechos avaliados que não atenderam aos critérios de inclusão permaneceram registrados com o respectivo motivo de exclusão. Entre as principais regras adotadas está a distinção entre tecnologia como objeto da política e como instrumento de outra política: quando a tecnologia aparecia apenas como meio para executar uma medida de outra área, o trecho não era contabilizado como proposta de agenda digital. A pesquisa também realizou uma análise complementar dos conceitos e expressões recorrentes nas propostas.
Procedimentos de Redução de Vieses O codebook foi definido, datado e versionado antes da leitura dos planos analisados, e as mesmas categorias e regras foram aplicadas às cinco candidaturas. As decisões de codificação, exclusões e alterações realizadas durante a revisão foram registradas com suas respectivas justificativas. A codificação passou por revisão humana. Na apresentação dos resultados, as candidaturas seguem o mesmo formato de ficha, são apresentadas em ordem alfabética e utilizam critérios gráficos comuns. A redação foi revisada para evitar avaliações de mérito das propostas e das candidaturas.
Outras Limitações Metodológicas O estudo analisa documentos de campanha e, portanto, descreve o que foi formalizado nos planos registrados no TSE, não todas as posições das candidaturas nem o que será efetivamente implementado. A seleção das candidaturas foi definida a partir de um único levantamento Genial/Quaest, divulgado em 5 de agosto de 2026, e representa a configuração da disputa eleitoral naquele momento. Os planos possuem diferentes extensões e níveis de detalhamento, o que exige cautela na leitura de volumes absolutos. A análise utilizou o texto extraído dos arquivos, de modo que conteúdos eventualmente apresentados apenas como imagem podem não ter sido capturados. No eixo de Inclusão Digital, a análise identifica principalmente condições de acesso e competências digitais, mas não permite avaliar como esses recursos são efetivamente utilizados ou apropriados pela população. A revisão ocorreu sobre uma codificação já existente, e não por meio de duas codificações independentes realizadas em paralelo; por isso, o estudo não apresenta índice de concordância entre codificadores. Algumas decisões de revisão foram pontuais e não envolveram uma nova busca sistemática por todos os casos potencialmente equivalentes. Também houve casos que exigiram interpretação, como a identificação de compromissos futuros em construções como “devemos investir”. Na análise de conceitos recorrentes, alguns termos exigiram leitura contextual porque aparecem nos planos com sentidos diferentes. É o caso de “plataforma”: o termo foi contabilizado quando se referia a plataformas digitais no sentido de serviços ou ambientes digitais privados, mas não quando era utilizado de forma genérica para designar sistemas, portais ou serviços digitais do próprio Estado. Essa distinção foi feita a partir do contexto de cada ocorrência. As contagens são absolutas e não são normalizadas pela extensão dos planos ou pelo número de propostas. As nuvens de subcategorias são recursos para visualizar concentrações temáticas e não devem ser utilizadas isoladamente para medir diferenças com precisão.
Uso de Software ATLAS.ti: utilizado para codificação das propostas e registro das decisões de análise. Claude Code e Codex (Anthropic): utilizado por meio do Athena — suíte proprietária de skills/agentes do Reglab que roda sobre LLMs (Claude Code e Codex), aplicando nossas metodologias, auxiliou na leitura, aplicação do codebook e redação, sempre com revisão humana das classificações e conferência com o texto original dos planos. Python: utilizado para extração e organização dos dados e geração de documentos e figuras. Google Workspace: utilizado especialmente Google Docs e Google Planilhas, para edição, organização e revisão dos textos, dados e gráficos. Chat GPT (Codex modelo Sol 5.6): utilizado para geração de imagens, gráficos e nuvens de palavras.
Diretrizes Éticas A pesquisa utiliza exclusivamente documentos públicos e dados pessoais publicamente disponíveis necessários à identificação das candidaturas e dos planos analisados. Não foram coletados dados de eleitores, realizadas entrevistas ou outras formas de interação com pessoas naturais. Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio à pesquisa, com revisão humana das classificações e do conteúdo produzido. Como medida de transparência, o estudo disponibiliza o codebook, os critérios utilizados na análise e a relação das propostas identificadas.
Declaração de Independência Editorial Este estudo é uma iniciativa institucional do Reglab e não foi financiado, encomendado ou desenvolvido para terceiros. A pesquisa foi conduzida com independência editorial, sob responsabilidade do Reglab e de sua equipe de pesquisa. O estudo não avalia o mérito das propostas, não estabelece ranking entre candidaturas e não contém recomendação de voto.

Materiais complementares. Integram esta pesquisa dois documentos disponibilizados separadamente: o Anexo I – Propostas por candidatura, que reúne os trechos identificados como propostas nos cinco planos de governo, acompanhados de suas respectivas classificações; e o Anexo II – Codebook, que apresenta as definições dos eixos e subcategorias e os critérios utilizados na codificação.

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